Fernanda Xerez

O amor é de essência divina, portanto, sagrado!

Textos


A DANÇA DO OUTONO

 

As folhas caem não como quem se despede da vida, mas como quem finalmente aprendeu a arte de se entregar ao vento. O chão se veste de tons terrosos, um tapete de memórias secas que estalam sob os passos curiosos dos transeuntes. É o outono ensinando, com sua voz de brisa mansa, que a beleza também reside na partida. O desapego é, talvez, a forma mais pura de poesia que a natureza escreveu sem precisar de uma única gota de tinta.

 

Nessa estação de transição, as árvores nos ensinam a coragem de ficar nus, de abrir mão do que já cumpriu seu ciclo para que o novo possa, um dia, brotar. Há uma elegância melancólica na luz alaranjada do fim de tarde, que parece abraçar a paisagem com uma saudade antecipada.

 

O outono não é o fim, mas um suspiro profundo de preparação; um lembrete necessário de que é preciso soltar o velho com gratidão para que a nova estação encontre em paz, prontos para o recolhimento que precede todo grande renascimento.

Fernanda Xerez
Enviado por Fernanda Xerez em 06/02/2026
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