Fernanda Xerez

O amor é de essência divina, portanto, sagrado!

Textos


Esta trilogia é em homenagem à minha mãe (Helena), que fez da arte da costura uma

profissão informal. Ajudava papai no sutento da casa ao mesmo tempo que, de tão linda,

brilhava como esposa, mãe, dona de casa e exímia costureira. Te amo eternamente, mamãe!

 

 

Memórias.031

Trilogia.2

MÃOS DE FADA

 

Na escrivaninha da vida, mamãe era uma engenheira de tecidos. Antigamente  não havia as facilidades do "zigue-zague" ou moldes prontos de revista; tudo nascia da liberdade da sua mão e do brilho de sua "tesoura de ouro". Aquela tesoura era sua extensão mais sagrada — um instrumento que ninguém ousava tocar. Ela tinha o corte exato e o ciúme legítimo de quem sabe que a precisão mora no detalhe. Anos depois, encontrar uma igual para presenteá-la foi como devolver a ela um pedaço da própria história, renovado e brilhante.

 

Dona Helena não apenas costurava; ela esculpia. Com um giz de alfaiate e um olhar clínico, ela traçava linhas tão retas que pareciam riscadas com régua. Usava uma peça pronta da cliente como o único mapa necessário para desbravar o cetim ou o linho. Das medidas tiradas no corpo ao alinhavo paciente feito à mão, cada ponto era um exercício de paciência e rigor.

 

Seja no desafio de um vestido de noiva — inclusive o seu próprio, costurado na máquina que ganhou do papai (quando ainda eram noivos), ou na estrutura impecável de uma camisa masculina, ela dominava a arte do "fino trato". Helena provou que o verdadeiro talento não depende de tecnologias modernas, mas da habilidade de enxergar a roupa antes mesmo de o primeiro corte ser feito. Suas ´´mãos de fada´´ não entregavam apenas vestimentas; elas entregavam dignidade moldada sob medida.

Fernanda Xerez
Enviado por Fernanda Xerez em 12/05/2026
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