

![]() Esta trilogia é em homenagem à minha mãe (Helena), que fez da arte da costura uma profissão informal. Ajudava papai no sutento da casa ao mesmo tempo que, de tão linda, brilhava como esposa, mãe, dona de casa e exímia costureira. Te amo eternamente, mamãe!
Memórias.032 Trilogia.3 A SINFONIA DO LAR
Se a Dona Helena era a maestrina, a casa era uma orquestra que tocava em perfeita harmonia assim que o sinal da escola batia. No cenário de 1960, a colaboração não era obrigação, mas o fio que sustentava a alegria da família. Enquanto o papai dedicava seu dia ao serviço público, o "reino" da Helena se transformava com a chegada dos seus filhos (ajudantes), cada um com um dom especial, moldando um cotidiano de zelo e doçura.
Glória, como primogênita, trazia o brilho; sob suas mãos, a casa ficava impecável, refletindo o capricho que via na costura da mãe. Luiza, com seu jeito doce e maternal, garantia que o recém-nascido Cláudio crescesse cercado de cuidados, transformando o olhar sobre o irmãozinho em sua primeira grande tarefa de amor. Na cozinha Bôsco, o adolescente, assumia o comando pós-almoço, organizando tudo e selando a gratidão pelo dia com aquele cafezinho passado na hora, o combustível silencioso para o trabalho da mamãe.
E no meio de tudo isso, havia o aprendizado silencioso da arte. Eu, atenta, mergulhava no universo dos alinhavos, abanhados e acabamentos, auxiliando mamãe, a mestra, enquanto meus olhos brilhavam à espera do tesouro: os retalhos. Aquelas sobras de seda, algodão e linho, que para muitos eram apenas restos, nas minhas mãos ganhavam vida em roupas para as minhas bonecas, iniciando ali a minha própria jornada de criação. Naquela casa, a costura não era apenas mais uma ajuda ao sustento; era a escola onde os filhos aprenderam que, quando todos ajudam, a vida flui com a leveza de um ponto bem dado. Fernanda Xerez
Enviado por Fernanda Xerez em 12/05/2026
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