

![]() O DESPERTAR DOS SONHOS
Abro os olhos devagar, mas o quarto ainda não é inteiramente meu. Existe uma fresta entre o que vivi enquanto dormia e o que a luz da manhã tenta me contar. Geralmente, os sonhos são pássaros ariscos que fogem ao primeiro movimento das pálpebras, mas este, não. Este é diferente. Ele não se dissolve como a neblina sobre o mar de Fortaleza. Ele permanece sentado à beira da cama, paciente, com o olhar sereno de quem conhece todos os meus segredos. Sinto sua presença como um perfume que teima em não sair da pele.
É um momento suspenso no tempo: eu acordo, mas a fantasia decide ficar. E ali, no silêncio do meu quarto, percebo que não sou eu quem guardo o sonho na memória; é o sonho que me observa, zelando pelo meu despertar, como se quisesse garantir que a poesia da noite me acompanhe durante todo o dia.
O sol invade o espaço, mas a imagem não desbota. Sorrio em silêncio. Afinal, que sorte a minha ter um sonho que, em vez de partir, escolhe ficar apenas me olhando, como quem cuida de um tesouro.
Poetrix RASTRO E quando acordo, o sonho ainda está olhando pra mim!... Fernanda Xerez
Enviado por Fernanda Xerez em 18/05/2026
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