

![]() _fictício_ LEMBRANÇAS EM VERSOS DE POESIA
Havia um tempo em que as mãos ficavam manchadas de roxo, um sinal de glória após a escalada no pé de amora que reinava no centro do quintal. O sabor era uma mistura de sol com a doçura da terra, e cada fruta colhida era um pequeno tesouro que a gente guardava na boca antes mesmo de descer do galho. Era uma liberdade que tinha gosto de fruta fresca e cheiro de grama molhada.
O mundo parecia caber inteiro naquele espaço entre o muro e a varanda. As horas não eram contadas pelo relógio, mas pela sombra da árvore que se arrastava devagar pelo chão de terra batida. A gente não sabia, mas estávamos construindo o alicerce de todas as saudades que viriam depois, guardando o frescor daquelas tardes em potes invisíveis dentro da memória.
Hoje, quando fecho os olhos na minha escrivaninha, ainda sinto a textura áspera do tronco e o frescor da folhagem. O quintal pode ter ficado pequeno ou ter deixado de existir fisicamente, mas a árvore continua crescendo dentro de mim, dando frutos toda vez que uma palavra toca o papel. Escrever é, de certa forma, relembrar aquele quintal e poder transformar cada lembrança em versos de poesias. Fernanda Xerez
Enviado por Fernanda Xerez em 28/05/2026
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