

![]() MOTE Quando gastei toda as palavras e o meu silêncio não bastava, eu inventei a poesia.
Preto: Fernanda Xerez Cinza: Mario Quintana
EU INVENTEI A POESIA
Da vida fiz meu alimento, Na folha solta versejei, Sorrindo do meu próprio fado. Não foi em vão que tanto amei A leveza do pensamento. Rasguei o tempo e o contorno, Vivi sem pressa do retorno, E ao ver que o mundo caducava, Num sopro lírico eumeditei: Quando gastei todas as palavras.
Procurava o verso exato, Sem a gravata da ilusão, Pois a estrofe que se preza Nasce d’alma, não da razão. Feito um passarinho no mato, Procurei refúgio e guarida, Na calçada quase esquecida Onde a lua suave espreitava, Observando a noite tão vazia, E o meu silêncio não bastava.
Não fiz do verso uma prisão, Apenas deixei ir o vento, Varrendo a dor, trazendo o riso, Neste meu eterno invento. Entre o relógio e a ilusão, Olhei o mundo com magia, Pois onde o chão nos desfazia, Abri as asas da utopia, Para curar qualquer saudade, Eu inventei a poesia. Fernanda Xerez e o Poeta Mario Quintana
Enviado por Fernanda Xerez em 04/09/2026
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